História
Primeiros tempos
Dona Leonie logo começou a trabalhar em um banco, enquanto o senhor Erich procurava um local para montar seu próprio negócio. Um dia tomou um bonde na Praça da Sé. O bonde ia até Santo Amaro, mas o senhor Erich resolveu descer em Indianópolis. A loja no fim do mundo
Como disse um pedestre bem humorado, era preciso ter coragem para abrir uma loja naquele fim de mundo. Mas o senhor Eurico acreditou. O bairro era bom. Os funcionários das fábricas e indústrias da redondeza eram uma clientela em potencial. Na época, tinha a Metalúrgica Barbará, a Reiche, fabricante de parafusos, a Junker, de fogões, a Sherwin Williams, de tintas, e poucas outras. A colônia alemã, atraída pela indústria em crescimento, era bastante expressiva. A linha de bonde Centro-Indianópolis fazia seu balão de retorno praticamente na porta, o que era garantia de movimento. E o que era mais importante: não havia na região nenhuma loja de calçados. Mas tudo isto não significava, de modo algum, que os negócios seriam fáceis. No Brasil, as coisas funcionavam de forma um pouco estranha aos modos germânicos do senhor Eurico. A pontualidade não era prática muito difundida no país, qualidade não era a principal preocupação dos fabricantes de calçados, e a pechincha era uma mania nacional. Aos poucos, com o apoio da família, e a vivência do amigo e funcionário Jacob no ramo de calçados, o senhor Eurico foi descobrindo as manhas do negócio made in Brasil.
Arrematou um lote de calçados masculinos número nos tamanhos 43 e 44, anunciou no jornal alemão e vendeu tudo em poucos dias. Ele tinha acabado de descobrir um segmento novo e inexplorado no ramo de calçados: o dos sapatos de números grandes, que a Casa Eurico lidera até hoje. A loja no bairro
A loja na metrópole Com a construção do Shopping Center Ibirapuera, Moema perdeu sua dimensão regional para se tornar um bairro metropolitano. As casas foram cedendo seu lugar para lojas e edifícios. Aumentou a população local, e gente de toda a cidade passou a frequentar e comprar no bairro. Era preciso modernizar a imagem da Casa Eurico. Um belo banho de boutique, e a loja abriu suas portas para uma nova clientela, vinda de todos os cantos da cidade. Aos sábados, a loja ficava tão cheia que as pessoas se aglomeravam à porta. Um sucesso que infelizmente o senhor Eurico teve pouco tempo para saborear. Com sua morte em 1976, o senhor Guimarães, gerente da loja desde 1964, passou a ser o braço direito de dona Leonie, ajudando-a em todas as transações com fornecedores. O filho Hans passou a assessorá-la na coordenação e solução de problemas administrativos, e sua nora, Liliana, auxiliou-a nos serviços de escritório por alguns anos. E na virada da década, a terceira geração começou também a figurar nos negócios. Nidia, recém formada em administração, ficou com um importante objetivo a cumprir: fazer da Casa Eurico a loja dos Pés Grandes. O Senhor Guimarães pôs mãos à obra para executar a idéia, conseguindo dos fornecedores uma produção exclusiva e constante de números grandes. Ao mesmo tempo, Vera, arquiteta e irmã de Nidia, praticamente pôs abaixo a loja para adequar seu espaço ao que certamente viria pela frente. A Casa Eurico ganhou maior área de vitrine e maior área de estocagem, até então espalhadas por várias sobrelojas da redondeza. E Claudia, a terceira neta, tratou de divulgar ao público todas essas boas novidades assumindo a área de comunicação e publicidade da loja. Atraída pela especialidade da Casa dos Pés Grandes, veio gente de toda a cidade e até do país, principalmente os representantes da nova geração de esportistas brasileiros, com seus metro e noventa ou mais de altura. Novos tempos Em 1990, já com 90 anos, Dona Leonie achou que era hora de se aposentar. Seu filho Hans assumiu, então, a direção da loja ao lado das filhas e do Sr. Guimarães.
No final de 1999 mais uma reforma fez com que a Casa Eurico se tornasse muito mais ampla, bonita e moderna. Após comemorar os 65 anos de existência da empresa, a diretoria decidiu que era hora de efetivar a ampliação do negócio. Assim, em dezembro de 2003 foi inaugurada sua primeira filial, na charmosa Rua Oscar Freire, em São Paulo. E em outubro de 2010, após 7 anos de funcionamento, o espaço ganhou uma ambientação exclusiva e um novo mix de produtos para abrigar a nova marca da empresa: Eurico Max. Com a proposta de atender um público mais jovem e arrojado, a nova marca foi criada para dar ao cliente Eurico uma nova opção de compra.
Mas nada temam os antigos clientes da Casa Eurico acostumados aos mimos e paparicos dos donos e dos vendedores. A Betty, aquela mesma de 50 anos atrás, continua firme como vendedora, falando alemão com o pessoal da colônia. O Wanderley, funcionário desde 1981, assumiu a função de gerente, e vez por outra ainda pratica aquele velho hábito de "quebrar o galho" do cliente. E continua, entre os vendedores mais novos, aquela mania tão fora de moda de agradar os clientes, ajudando-os a calçar os sapatos, e se for preciso, pondo a loja abaixo até encontrar o par desejado.
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